Morar em Portugal: minhas impressões depois de um ano – Parte 1

Confesso que escrever um post sobre o que eu sinto depois de morar em Portugal por um ano me parece algo completamente surreal. Aquelas coisas que parecem a vida de uma outra pessoa.
Porque a gente sonha, planeja, idealiza, sofre de ansiedade, acha que os filhos nunca vão se adaptar ou que o nunca vamos arrumar um trabalho ou que não teremos amigos. Mas, raramente paramos pra fazer um balanço depois que o turbilhão – ou pelo menos parte dele – já passou.

Pois eu vou fazer isso agora. rs Escrever sempre foi pra mim uma forma de colocar as ideias no lugar. E fazer isso em um blog (prometo que agora não desapareço mais!) acaba tendo um lado que vai além do prático, do que ensina como tirar o NIF ou como tirar a Cidadania Portuguesa. Sou eu conversando comigo mesmo e deixando todo mundo espiar! 😉

Depois de morar em Portugal por um ano, o que eu posso dizer é que me sinto em casa. Não só porque minha origem é Portuguesa e meu pai nasceu aqui. Mas porque começo a fazer parte da comunidade, conhecendo mais portugueses e não me isolando somente entre os brasileiros. Isso pra mim sempre foi ponto pacífico: não vim para viver em um Brasil do outro lado do oceano. Vim viver em Portugal e quero me integrar à cultura e ganhar com isso. Diversidade enriquece a vida!

Dito isso, vamos a alguns pontos que me fazem feliz com a decisão de ter vindo morar em Portugal:

=> Com o passar do tempo, desliguei o meu radar e relaxei. Não vivo mais com medo de algo ruim acontecer comigo ou alguém que eu amo. Logo que cheguei, ainda agarrava a bolsa quando alguém passava muito perto de mim na calçada ou o coração acelerava quando via um grupo de pessoas correndo (era só pra pegar o comboio, mas eu já imaginava um arrastão).

Agora, esse reflexo foi se perdendo. Obviamente não vivo achando que nada de ruim acontece aqui ou que não há roubos ou violência. Portugal é habitada por seres humanos, né? Mas, definitivamente a proporção é completamente diferente.

=> Também aprendi a viver de forma mais frugal e minha relação com o consumo mudou. Eu nunca fui muito consumista e sempre me incomodou demais o fato do brasileiro classe média ter uma visão meio americana sobre essa questão. Ter é mais importante do que ser. Acumular coisas, em vez de experiências. Vivendo nesse meio, a gente acaba sendo contaminado e só percebe quando se afasta. Durante os primeiros meses em Portugal, eu ficava incomodada porque aqui eu não tinha um cartão de crédito.Ou porque não conseguia parcelar compras. Old habit die hard, né, gente?

Agora, o cartão de crédito existem mas fica na gaveta da cabeceira. Só vou ao shopping se preciso (de verdade) de algo e mesmo assim acabo desistindo de comprar quando penso se realmente aquilo está me fazendo falta. Nossos hábitos foram mudando aos poucos e eu acho isso bom. Valorizo ainda mais o que eu tenho e mais do que nunca dou mais valor a uma viagem de fim de semana do que a uma bolsa nova ou um sapato.

=> Além disso, senti as barreiras caindo, ou se estendendo. E as crianças também. A primeira vez que eu saí do Brasil eu tinha 25 anos. Vim pra Europa. Me lembro exatamente do dia e do momento em que coloquei os pés em Madrid e senti que o meu mundo havia mudado para sempre. Desde então alguns (poucos, vai?) anos se passaram. E eu, que achava que o mundo era meu, fui perceber que só morando fora do país onde você nasceu isso é realmente verdade.Viajar de férias e viver o dia a dia são coisas completamente diferentes.

Aprender as regras locais, a etiqueta, os hábitos, trabalhar em outro país, e ouvir diferentes idiomas o tempo todo é muito, muito enriquecedor. E muda a gente pra melhor. De verdade. Reparem que eu não disse que eu passo a ser melhor do que quem nunca viveu fora na vida, ok? Eu sou uma versão melhor de mim mesmo. E, aos poucos, Rafa e Juju também percebem isso. Que eles  podem fazer o que quiserem, em qualquer lugar do mundo. As divisas foram criadas pelo homem. A gente não precisa levá-las tão a sério.

Gente, o post ficou enorme! rs Eu demoro a escrever, mas quando começo não paro mais! Continuo em breve. Segue aqui comigo? 🙂

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3 Comentários

  1. Seu depoimento é muito legal, leve e inspirador. Torço pra que meu filho queira cursar faculdade aí daqui a dois anos pra irmos todos juntos.. felicidades.

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